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Vício em apostas: o jogo que para de ser diversão

  • Foto do escritor: Nathália Barabás
    Nathália Barabás
  • 11 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Nos últimos anos, as apostas esportivas se tornaram acessíveis a praticamente qualquer pessoa com um smartphone. Com poucos cliques, é possível entrar em aplicativos e sites que oferecem odds ao vivo, bônus de boas-vindas e promoções tentadoras.


Para muitos, isso é apenas diversão; para outros, pode se transformar em um problema grave. O vício em apostas, também chamado de transtorno do jogo, afeta a vida emocional, social e financeira de milhões de pessoas.

De acordo com o DSM-5, o transtorno do jogo é um padrão persistente e recorrente de comportamento de aposta problemático, que leva a prejuízos significativos. Entre os sinais mais comuns estão a necessidade de apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma excitação, tentativas repetidas e malsucedidas de parar, preocupação constante com o jogo, uso das apostas para aliviar emoções negativas, mentiras para esconder a frequência das apostas e perdas importantes de relacionamentos ou oportunidades por causa do hábito.


No Brasil, estima-se que cerca de 3,5 milhões de pessoas apresentem sinais de jogo patológico, e a popularização das plataformas online vem acelerando esse crescimento.

Pesquisas mostram que o vício em apostas está associado a taxas mais altas de ansiedade, depressão e risco aumentado de tentativa de suicídio. Estudos internacionais apontam que a prevalência global do transtorno varia entre 0,4% e 2% da população, sendo mais comum em ambientes com fácil acesso ao jogo online.



O que acontece no cérebro?


  • Ao ganhar uma aposta, o cérebro libera dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e à motivação.


  • A imprevisibilidade das vitórias cria o chamado reforço intermitente, no qual a pessoa é recompensada de forma irregular, aumentando a dificuldade de parar.


  • Mesmo após perdas, a ilusão de controle, crença de que é possível recuperar o dinheiro perdido com mais apostas, mantém o ciclo ativo.



Esses mecanismos são semelhantes aos observados em dependências químicas, o que explica por que o vício em apostas pode ser tão difícil de romper.


Para ser considerado um Transtorno, é necessário que exista persistência e sofrimento, com prejuízos no cotidiano. Alguns dos mais comuns estão listados abaixo:


Endividamento e instabilidade financeira


Isolamento social e conflitos familiares


Perda de produtividade no trabalho ou estudos


Baixa autoestima e sentimentos de impotência



Tratamentos e caminhos para a recuperação


O transtorno do jogo tem tratamento e a recuperação é possível.


Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): ajuda a identificar e modificar pensamentos distorcidos sobre o jogo e a desenvolver estratégias para resistir ao impulso de apostar.

Grupos de apoio, como Jogadores Anônimos, oferecem acolhimento e troca de experiências.


Acompanhamento psiquiátrico pode ser indicado em casos com ansiedade, depressão ou impulsividade intensa, podendo incluir medicação.



O primeiro passo é o mais difícil: reconhecer o problema e buscar ajuda, seja de profissionais de saúde mental, seja de familiares e amigos. Quanto antes o tratamento começa, maiores são as chances de recuperação e de retomada da qualidade de vida.

 
 
 

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Psicóloga Clínica | Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental 
CRP 06/134422
Itupeva/SP

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